Como Vice-Presidente do CASLAS, fomos convidados pela Presidente do Rotary Clube de Lagos, Adélia Figueiredo, para o jantar comemorativo do 28º aniversário deste clube
OBRIGADO ADÉLIA, OBRIGADO MANSO PRETO
Como Vice-Presidente do CASLAS, fomos convidados pela Presidente do Rotary Clube de Lagos, Adélia Figueiredo, para o jantar comemorativo do 28º aniversário deste clube – um convite que muito nos honrou e onde fomos acolhidos com todo o espírito de hospitalidade e simpatia.
Mas estavam-nos reservadas algumas surpresas – um excelente número de danças de salão e uma apresentação do livro “Sigilo Profissional em Risco” da autoria da jornalista Helena Sousa Freitas. Contudo o prato forte da noite seria servido pelo jornalista José Luís Manso Preto, que dissertou sobre a sua condenação por recusar a quebrar o sigilo jornalístico – o mesmo jornalista que há dezenas de anos se dedica à investigação do narcotráfico.
Duas expressões merecem ser aqui registadas:
Por Manso Preto: Ao fim de 33 anos de democracia, não me considero um homem livre e tenho medo.
Por Joaquina Matos: Não podemos permitir que se volte ao antigamente, um País pequeno, um País cinzento.
Podemos facilmente concluir que o jornalismo é cada vez mais uma profissão de risco.
No Expresso de 3 de Março p.p., um artigo de João Bosco Mota Amaral, intitulava-se: JORNALISMO, PROFISSÃO PERIGOSA. E mesmo antes do título já Mota Amaral dizia: mesmo quando não há sinais de violência sobre jornalistas convém permanecer atentos a quaisquer indícios limitativos, por via administrativa ou judicial.
A própria Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa debateu uma vez mais o tema da liberdade de imprensa. Tem sido este um assunto recorrente na agenda da organização que vela pela qualidade da democracia e pelo respeito dos direitos humanos no nosso Continente.
Depois de se debruçar sobre variadíssimas situações em que a liberdade de imprensa se traduziu em censura, assassínio, ameaça, o autor deste artigo diz a certa altura:
Daí o apelo de todos os estados-membros do Conselho da Europa para que garantam aos «media» e aos profissionais respectivos um desempenho livre de qualquer initimidação…. A liberdade de imprensa é um bem essencial para a vivência democrática.
Nós, que estamos longe de ser jornalistas e muito menos profissionais do jornalismo, já recebemos uma carta de um distinto autarca, que não se cansa de proclamar a sua verticalidade e transparência, a solicitar a nossa renúncia a um cargo numa instituição em que ele preside, só porque o criticávamos (não caluniávamos nem insultávamos), neste órgão de comunicação social. Mas, ia mesmo mais longe, com uma ameaça clara ao órgão de comunicação social e ao escriba.
E, logicamente, as palavras de Mota Amaral, não podiam encaixar melhor – mesmo quando não há sinais de violência sobre jornalistas convém permanecer atentos a quaisquer indícios limitativos, por via administrativa ou judicial.
E, ainda mais logicamente, as palavras de Manso Preto traduziram o que por vezes já vamos sentindo nesta pequena comunidade – pouca liberdade e algum receio.
Pena é que Manso Preto não dedique algum do seu tempo à investigação da comunicação social em Lagos.
Quanto ao Rotary Clube de Lagos e em particular à Adélia Figueiredo, em nome do CASLAS, um muito obrigado pelo convite e também pelo mote que acabou por representar a intervenção de Manso Preto.
Nídio Duarte