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PROTEGER OU AGREDIR A LINHA DE COSTA, DIFERENÇAS DE CAMINHO...

É abissal a diferença entre as posturas actuais, de Portugal e da Espanha, no que concerne à forma de tratar hoje uma das maiores, senão mesmo a maior, das riquezas naturais, que são as respectivas linhas de costa marítima

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PROTEGER OU AGREDIR A LINHA DE COSTA,
DIFERENÇAS DE CAMINHO
ENTRE PORTUGAL E ESPANHA

É abissal a diferença entre as posturas actuais, de Portugal e da Espanha, no que concerne à forma de tratar hoje uma das maiores, senão mesmo a maior, das riquezas naturais, que são as respectivas linhas de costa marítima.
 De acordo com notícia pública, em Espanha estudou-se, analisaram-se os métodos mais comummente seguidos até agora, assumiram-se os erros cometidos nas linhas de costa e, serenamente, responsavelmente, estabeleceu-se um caminho claro, corajoso, de correcção e regeneração. Em que o objectivo principal são o interesse colectivo e a garantia da preservação futura desse recurso natural irreproduzível. Chama-se esse caminho “Estratégia para a Sustentabilidade da Costa”. Abrange a reabilitação duma extensão de 777 quilómetros (mais do que toda a costa portuguesa, de Caminha a Vila Real de Santo António) das costas mediterrânicas de Espanha. Atribui a responsabilidade da sua execução às administrações locais, resgatando concessões e através de negociações com os proprietários, para libertar de construções uma faixa de, pelo menos, 100 metros a partir da costa. Repare-se na confiança que este método deposita nos cidadãos, na sua capacidade de discernimento crítico, de consciência cívica, para aceitarem que, como diz a própria Estratégia, “prejudicando embora alguns, muito mais gente ganha e aumentará o turismo e a qualidade”. Isto, em Espanha. E em Portugal?
Pois em Portugal, prossegue, é aceite, incentivada e dá-se cobertura legal, à alegria terceiro-mundista dos lucros do desenfreado esgotamento do que nos resta da riqueza da qualidade paisagística, balnear, piscatória, ambiental, que é a nossa costa. Zonas magníficas, que até agora se consideravam intocáveis e protegidas como essenciais à protecção ambiental e à qualidade natural, e portanto factores de desenvolvimento, são hoje os alvos favoritos a destruir, em nome do progresso. Só aqui, no extremo do Barlavento do Algarve, a Ponta da Piedade/Atalaia, a ria de Alvor, a Costa Vicentina, a Meia Praia, caminham para ser rapidamente transformadas em novas zonas banalizadas e descaracterizadas. Capazes de, no imediato, gerarem os grandes lucros pretendidos. Mas, em termos de futuro, não serão mais do que factores negativos para o turismo humanizado, de génese sócio-cultural, e incapazes de se posicionar ao lado da qualidade que, indiscutivelmente, se vai obter com o caminho traçado na Espanha. O exemplo citado prova isto à saciedade, só não vê quem estiver conduzido pela ganância, e apoiado na arrogância. Com a consequente cegueira.
Embora sabendo-se que, em Portugal, não falta quem saiba qual o rumo a tomar, e saiba, igualmente, como atingi-lo. Assim o quisessem os governantes, nacionais e locais, que advogam e protegem intervenções no território medidas apenas pelos milhões de euros e pelos metros quadrados de construção. No princípio, cego no olhar para o futuro colectivo, do quanto mais se amontoarem construções, mais progresso (leia-se, maiores lucros). Confundindo crescimento com desenvolvimento. Faça-se a justiça de dizer que também se proclamam os postos de trabalho a criar, mas não esqueçamos que se sabe bem (veja-se a eleição de Sócrates…) que não é com vinagre que se apanham moscas. As questões ambientais, ficam para a descarada retórica e a sábia demagogia.
E em Lagos? Pois aqui, os discípulos daquela maneira de pensar, são bons, muito bons. Para avaliar dos valores e objectivos locais, bastará ver as entrevistas e o boletim municipal “a par e passo”. Tudo descritivo, propagandístico, auto-lisonjeiro, sem vergonha nem pudor, omitindo o que convém omitir, prenhe da certeza da impunidade. Sem o menor resquício de reflexão que possa conduzir os munícipes a uma postura de análise qualitativa e à consequente criação de massa crítica (livra, só se fossem malucos). Abertura ao debate democrático sobre o futuro, nem o cheiro.
Em resumo, visando apenas efeitos eleitoralistas (e resultando…), de permanência no Poder, e os consequentes benefícios (para quem?).
E a linha de costa? Pois está lá, bem obrigado, os magníficos PIN e filhotes, propagandeados como progresso e qualidade, se encarregarão de lhe tratar da saúde. Como se tem visto.
E a Espanha? Pois é, lá, vão na linha da frente. Portugal, nem a reboque vai. 
Repito, e lutaram tantos pela democracia!

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terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
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