A CÃMARA MUNICIPAL DE LAGOS JÁ REPAROU QUE A EXPOSIÇÃO SOBRE OS DESCOBRIMENTOS ESTÁ EM LISBOA?
A CÃMARA MUNICIPAL DE LAGOS JÁ REPAROU QUE A EXPOSIÇÃO
SOBRE OS DESCOBRIMENTOS ESTÁ EM LISBOA?
Num escrito que intitulei “Carta Aberta a Lagos”,
publicado no “barlavento” de 02.02.2006, lancei um repto à Cidade, que esperava
que provocasse uma resposta encabeçada pela Câmara Municipal.
Anunciava-se então que o Smithsonian Institute, de
Washington, a mais poderosa e prestigiada entidade mundial no campo da
museoologia e da investigação, preparava, para inauguração em Setembro de 2007,
o que se pretendia que viesse a ser o maior evento jamais organizado, à escala
mundial, sobre os Descobrimentos Portugueses.
Não seria apenas uma grande exposição de peças e obras de
arte da época dos Descobrimentos, ou deles resultantes. Haveria também um
Congresso internacional, com colóquios e seminários, em que avultava, dizia a
organização “ o papel decisivo dos Descobrimentos Portugueses na criação do
mundo moderno”.
Só isto já era entusiasmante, ver que a comunidade
museológica e cientifica do mundo iria ver e estudar a saga portuguesa de
Quinhentos na sua maior perspectiva, para além da costumada visão paroquial com
que em Portugal se olha, estáticamente, para as glórias passadas, e daqui não
sai.
O repto pretendia que Lagos se movimentasse e
mobilizasse, sob a representatividade da Câmara Municipal, para estar presente
nesse grande evento como a Lagos dos Descobrimentos, a Cidade donde haviam
partido as primeiras navegações. A Cidade onde se haviam aberto as portas para
o mundo saber que havia mundos para além dos mundos conhecidos, e que isso se
sabia indo saber. Isto é, pôr em discussão a maior lição e mensagem dos
Descobrimentos, como construtores do caminho do futuro, nunca mais
interrompido.
Pois é, comemoram-se este ano 40 anos sobre a chegada de
homens à lua, tal como nos Descobrimentos, foram onde nunca ninguém tinha ido.
A intenção do repto era que Lagos fosse exigir estar
presente na Exposição, sob qualquer forma, a estudar em Portugal, pois que o
País iria ser participante na organização, fosse com comunicações cientificas,
com participação em debates e seminários, com referências no material
expositivo.
Seria a apresentação de Lagos ao mundo no seu melhor, com
efeitos inestimáveis na sua promoção e na sua cultura, e na sustentabilidade do
turismo pela abertura a novos e sólidos interesses e movimentos, sob a égide da
cultura do conhecimento. Aquilo que, hoje, move o mundo, o intercâmbio de
culturas e saberes, a universalidade do pensamento. Exactamente aquilo que os
Descobrimentos Portugueses inventaram.
E isso é o que Lagos iria dizer, e dizer que sabia isso.
Não houve nenhuma, nem a mais pálida, receptividade, e a
oportunidade perdeu-se. Como de costume, não interessava, pois que não se
falava em hotéis de não sei quantas estrelas. Nem em negócios imobiliários,
claro. Nem no umbigo do Poder.
Até Cavaco Silva, que não se pode dizer que tenha uma
ligação muito afectiva com essas matérias, lá foi de Boliqueime para a
inauguração.
Mas Lagos achou que não tinha que se preocupar com essas
minudências, aqui do que se tratava era da vidinha. E ficou em casa.
Agora, a exposição foi inaugurada em Lisboa, depois de
passar por Bruxelas. Com a habitual estreiteza de vistas nacional sobre os
Descobrimentos, é vista como um repositório de peças antigas. Concomitantemente,
foi remetida para as salas do Museu de Arte Antiga.
Nas notícias, só vi falar que as peças eram muito
valiosas, e dos milhões de euros da organização. Não vi nada anunciado que
enriquecesse o conhecimento dos Descobrimentos, a sua divulgação no País, e a
leitura da Exposição, nada, para além da costumeira passiva postura expectante
de visitantes. Até Outubro. Depois, está-se mesmo a ver, voltam os
Descobrimentos para o baú da retórica.
Mas esta nova, embora não tão vasta oportunidade, Lagos
pode ainda aproveitar, e com bastos proveitos para o futuro.
Será, com a Exposição, debater os Descobrimentos. Na
Lagos dos Descobrimentos.
O repto mantem-se. Repito-o.
Que se saiba inventar a resposta. Para o bem de Lagos.
José Veloso
Julho 2009