O pior uso que se pode fazer da Liberdade é abdicar dela.
O dinheiro pode comprar pão mas não compra gratidão.
A máxima perversidade é pôr as leis ao serviço da injustiça que, quando feita a um, é uma ameaça para todos.
A luz que te dizem ver ao fundo do túnel pode ser a do comboio...
Desde
que de mim me lembro tenho, como tanta gente, uma admiração especial
pela tão maltratada Arte do Circo. O meu coração chegou mesmo a bater
de amores por uma trapezista de circo ainda não teria eu dez anos,
muito precoces como todos os destas bandas do barlavento. O circo
estava ali na avenida e era um dos momentos altos da feira, assim como
essas saudosas peças da Companhia de Teatro de Rafael d'Oliveira que,
com um impressionante barracão desmontável em madeira, andava "pela
província" a servir Cultura...
Claro
que, já premonitoriamente em relação a outros doutra natureza, aquele
amorzinho foi platónico e, como tal, apesar de todo o esforço cénico
circense, nada socrático…De pouca conversa. Mas também graças à
natureza do aparelho e ao buraco nas lonas o primeiro dos espectáculos
foi visto de baixo e de fora, tal qual este enredo colectivo em que
navegamos todos. Ainda pensei em partir com ela, até podia integrar o
circo. Como palhaço, já que são muitos, gordos e magros, sempre
danadinhos para essa misteriosa brincadeira encenada de encher a
barriga de rir a quem lhes paga o bilhete. E chorar também, o que é a
arte suprema de um palhaço que se preze. Se calhar não eram palhaços de
formação, que a escola da Tété viria mais tarde. Mais um também não ia
fazer diferença de maior. Mas, obviamente, fiquei. Também porque não
tinham palhaças, coisa de que mais tarde percebi a razão, aliás ainda
actual.
Já um
conterrâneo nosso ali da Luz resolveu partir. Uns anos mais tarde.
Porque conheceu uma incrível ex-bailarina inglesa nessas estias
maratonas namoradeiras do tempo. Apesar de ter quase mais 50 anos que
ele, dançavam até deitar fumo e depois, sempre muito agarradinhos, ela
como se não houvesse amanhã - pudera - aos linguados forçados nesse
tempo dos slows duas vezes por noite, ainda e sempre com ele
olimpicamente nada impressionado com o aspecto algo calcinado, digamos
assim, daquela misteriosa senhora que pagava tudo. O facto é que
tresandavam os dois um mesmo cheiro esquisito, misto de flores podres
com sabonete Lux. Aquilo intrigava-nos mesmo, de qual deles vinha aquilo
e donde? Talvez falta de pressão na água lá em casa dela... Mas o
melhor estava p'ra vir. Confidenciou-nos o maroto aqueles que se
tornaram nos dois maiores "segredos" desse nosso Verão na Cidade: ela
era virgem, com quase setenta anos de idade imagine-se... O outro
segredo era de rebolar quem o ouvia: é que, da primeira vez que
dormiram juntos, ela já recuperada da líbida canseira confidenciou-lhe
que sensação mais forte que aquela só a que ela tinha sentido quando
alguns anos antes tinha tido uma primeira trombose...
Casaram,
não tiveram filhos e viveram muito felizes. Mas não para sempre, que
ela faleceu-lhe poucos anos depois. A ele faleceu-lhe a pobreza. Voltou
à terra, exibiu a riqueza e foi-se embora outra vez. Um rapaz esperto -
dizia-se. Mas o misterioso odor nunca o abandonou…
Para
sempre, para sempre... só m'alembro de ouvir falar do "sempre em pé",
aliás do Sr. Adelino que tinha uma metalomecânica ligeira aberta ali
para os lados da Graça. Após o seu último suspiro o bom do médico
vizinho que lhe fez a autópsia, perante a dimensão de tão raro bicho
zarolho, não resistiu a surripiá-lo por um dia com a ideia peregrina de
o levar para casa em formol num frasco para o mostrar à mulher.
Má
ideia! É que a mulher, amantíssima esposa, ao ver entrar o marido em
casa com o capitão zarolho do outro no frasco, como que embalsemad',
disparou essa tão repentina como célebre expressão de espanto, já num
misto de saudade e horror pela surpresa de tão grande perda: «Aaaaiii
querid', na' me digas que morreu o Senhor Adelin'...»
Separaram-se para sempre. Afinal, fazendo justiça à alcunha do sobredotado finado.
Conclusões:
Há risos que dão vontade de chorar e lágrimas que dão vontade de rir.
Tal como na morte do grilo, os amores da praia ficam enterrados na areia.
A verdadeira amizade não tem preço, vive de provas e prova-se na adversidade.
Senso comum num grau incomum é o que o mundo chama de sabedoria.
Se queres conhecer o futuro, olha para o passado.
O dinheiro pode comprar pão mas não compra gratidão.
Não te felicites pelo dia de amanhã, pois não sabes o que o de hoje vai gerar.
As piores malandrices consistem em nem sequer os seus autores perceberem que as cometem.
O pior uso que se pode fazer da Liberdade é abdicar dela.
A máxima perversidade é pôr as leis ao serviço da injustiça.
A injustiça feita a um, é uma ameaça para todos.
Rei iletrado não é mais que um jumento coroado.
O que hoje parece, amanhã perece.
A luz que te dizem ver ao fundo do túnel pode ser a do comboio...
José Borba Martins, Lagos-Algarve
v. http://tinyurl.com/nxqbxt
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Petição Pública pela Região Autónoma do Algarve
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